coletores

Um copinho de liberdade, por favor!

E aí, criatura! Tudo bem?

Faz tempo, né? Mas vamos que vamos, que hoje o assunto é cheio de polêmicas ainda, de ódios e amores! Hoje venho falar de um assunto que talvez interesse mais a quem tem útero (e menstrua). Mas, se você não passa por isso mas se importa com quem passa, fica aí e vai vendo. Talvez esse texto possa te ajudar de alguma forma, nem que seja pra ajudar alguém.

Vou falar do já famoso coletor menstrual, ou “copinho”. Se você nunca ouviu falar, trata-se da coisa mais linda, prática e deliciosamente libertadora que eu já tive conhecimento em toda a minha vida – E hoje me arrependo de não ter aderido quando ouvi falar da primeira vez, vários anos atrás.

Venho postando no meu Facebook, timidamente, alguns incentivos ao uso do coletor e, como percebi uma boa aceitação e muita curiosidade, tamos aí!

O que é o coletor?
Não é nada além de um recipiente de silicone (ou outro material atóxico), muito maleável, que é inserido na vagina (não, ele não SOME lá dentro) e coleta a menstruação.

Como funciona?
Exatamente como falei ali, ele só fica lá… coletando o sangue. Mais nada. Aliás, ele SÓ coleta o que sai do útero, o que significa que você não vai sentir aquele ressecamento característico.(Sabe? Terrível, né? Pois é, também achava.) Contanto que seja bem colocado – questão de prática, mas rapidinho de pegar o jeito! – não vaza, não assa, você nem percebe que ele tá lá. E pode ficar várias horas com ele; Depois esvazia, na pia, no ralo, no chuveiro, lava o coletor, e voltamos ao início.

Mas se ele tá lá dentro, como sei que tá cheio?
Bom, na base da tentativa e erro, até encontrar seu intervalo certo pra esvaziar o copinho. Cada uma é de um jeito, então não tem muito uma fórmula. Muito parecido com o absorvente comum, aliás, nesse aspecto. É preciso se conhecer um pouco pra escolher modelo, tamanho, e tempo pra troca, pra evitar vazamentos. Coletor é a mesma coisa, só que o aborrecimento da adaptação é bem menor.

Mas peraí, volta ali: Jogar o sangue no RALO? Não contamina???
Olha, como o sangue no coletor não entra em contato com o ar, não oxida e não prolifera bactérias. O sangue, em si, não contamina nada. Caso contrário, precisaríamos usar um vaso sanitário específico quando a menstruação chegasse, e não temos essa preocupação com os absorventes, que vão parar nos lixões por aí e a gente nem pensa nisso. Aliás, boa hora pra começar a pensar!

Todo mundo se adapta?
Como tudo na vida, não. Não tem unanimidade. Mas a grande maioria, sim. Existem diversos fabricantes, diversas marcas, modelos e tamanhos e rigidez do material, e até variações de formato. Então é necessária uma pesquisa antes de comprar pra escolher seu “companheiro de aventuras”, mas a chance de que exista algum exatinho pra você é bem grande.

Tá. Mas não tá bom com o absorvente?
Olha, não sei você, migs, mas eu realmente tinha problemas que eu nem sabia, com o uso desse monte de química. Fora o desconforto de ter aquilo entre as pernas e a paranoia constante de não levantar rápido demais, não sentar torto demais, não ficar tempo demais, não usar roupa apertada demais pra ninguém reparar, aquele cheiro constrangedor, que eu tinha certeza que o mundo podia sentir mas ninguém falava por pena… Bom, fora isso tudo, eu tinha alergias e sintomas que achava naturais, simplesmente porque não tinha informações sobre o assunto. Por isso resolvi escrever isso: Pra que mais gente descubra que não é normal nem desejável que coce, incomode, arda, resseque, pese, nem nenhum desses sintomas terríveis. Então se você sente algum desses – ou todos -, migs, vale a pena dar uma chance pra esse pedacinho de silicone.

E, se você tem uma pegada meio ecológica, curte redução de lixo e essas coisas lindas e verdes, o copinho dura ANOS, é totalmente reutilizável, “esterilizável” e seguro, e gera muito menos impacto ambiental do que toneladas de absorventes que são jogados fora todos os meses no ano – uma mistura bizarra de algodão, plásticos, géis, sangue e um monte de substâncias químicas que não tem natureza que dissolva.

Se você leu até aqui, mas ainda não se convenceu; Ou, se você leu até aqui e tem nojo dessa coisa toda de coletar sangue, lavar copinho, inserir, retirar, iuch! Eu te faço um pedido: Vamos pensar do que nós realmente temos nojo? O que nós realmente tentamos esconder quando pedimos, envergonhadas, um absorvente emprestado pra amiga ao pé do ouvido? Se é um processo natural, tão natural e necessário quanto se alimentar, beber água e ir ao banheiro, por que temos a imagem de que esse sangue é sujo, impuro, desagradável e não deve ser comentado? Por que nos sentimos pessoas piores, temos vergonha de falar até com as amigas? Ainda que você deteste a ideia de se tocar e entrar em contato consigo mesma, é uma ótima oportunidade para refletir sobre isso.

Bom, vou parando por aqui! Sou adepta há alguns poucos meses e já adoro o coletor e todo o crescimento que me proporcionou. Existem vários grupos no Facebook, também, com trocas incríveis de experiências positivas e negativas, informações sobre os coletores, modelos, tamanhos e tudo o que a gente precisa saber pra escolher o nosso.

Minha pedida agora é um copinho de liberdade com muito autoconhecimento e autoaceitação.❤

Seu cabelo, racista

Seu cabelo é Racista?

Racismo: Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.

“racismo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/racismo [consultado em 10-09-2014].

Dá pra um cabelo ser racista? Bem, tecnicamente não. Mas dá pra ser racista com o cabelo.

Há alguns meses, desde março desse ano, eu venho passando pela Transição Capilar. Isso significa que parei com as químicas de alisamento e relaxamento, e resolvi aceitar o meu cabelo como ele nasce. Aceitar as raízes dele, as minhas. As raízes volumosas, onduladas, cacheadas, espiraladas, crespas; As raízes negras.

“Mas Mari, você é branca, não é negra!” Minha pele é branca (até pálida), mas minhas raízes, minha mãe, meus avós, são negros.

Agora, quem conhece minha mãe pode estar se perguntando se ela não é morena. Vamos dizer que “moreno” está para “negro” como “cacheado” está para “crespo”. Um está contido no outro, e a função da palavra é apenas amenizar um sentido “pesado demais”. Mas aqui vai: Morenas, vocês são negras. Brancas, vocês provavelmente têm ascendência negra. Somos todas irmãs de sangue. Sinto muito se é um choque para você, mas o Brasil é um país predominantemente negro.

E o que eu quero com tudo isso? Principalmente, quero deixar claro que não tem nada melhor que aceitar seu cabelo natural. Seja ele liso, ondulado, cacheado, crespo, com ou sem definição, com ou sem volume, tenha você 5 tipos diferentes de cabelo na sua cabeleira: Ame-se.

Ame-se porque ninguém lá fora deveria dizer que esse ou aquele tipo de cabelo é mais bonito que o seu, que você deveria “abaixar só um pouco a raiz”, “soltar os cachos”, “domar o cabelo” nem nada parecido. Ame-se porque você nasceu assim, e aceitar seu cabelo é assumir sua identidade. É se descobrir, se conhecer. É aceitar suas origens e jogar fora toda a ditadura de padrão de beleza europeu.

“Mas eu acho bonito liso e você não tem nada a ver com o que eu faço com o meu cabelo!”
Exatamente, concordo plenamente. A ideia aqui não é convencer ninguém a alisar ou deixar de alisar seu black, mas sim expor o que está por trás desse alisamento, que é essa adequação ao padrão. Cada um é livre para fazer o que lhe fizer bem. Eu mesma vivo dizendo, no grupo Cacheadas em Transição (grupo fechado e exclusivo para mulheres), que cada uma só deve tomar essa decisão se estiver à vontade consigo mesma. Se, no meio do caminho, resolver cortar, raspar, fazer dread ou mesmo alisar novamente, beleza! Somos todos humanos e sabemos onde o nosso calo aperta. Mas isso também significa que não é para pressionar a amiguinha crespa a alisar “porque fica mais bonito”. Se ela usa o cabelo cacheado, crespo, longo, curto, deve ser porque ela gosta e não porque os outros gostam. O cabelo é da amiguinha, não seu, ok?

Quando alguém diz que cabelo crespo é difícil de domar, é porque está tentando adequá-lo aos padrões brancos. Esse tipo de cabelo é uma característica negra, assim como os lábios mais carnudos, os traços mais largos. Essas características não. Devem. Ser. Domadas. Ninguém sai por aí tentando frizzar um cabelo liso-escorrido. Por que então tentam impor esse padrão liso, sem volume, sem um fio desalinhado, aos negros? Não é bizarro que, curiosamente, o cabelo mais almejado e exaltado seja o mais “branco” possível? Começa pelo cabelo e quando vemos as meninas já estão aprendendo técnicas de maquiagem que afinem os traços, iluminem a pele, disfarcem os lábios carnudos. Isso tudo é um massacre! É negar cada uma das características que as fazem ser quem são e desconstruir uma identidade racial valiosíssima!

Pra ilustrar, dá pra citar o caso da Blue Ivy, filha da Beyoncé. Fizeram uma PETIÇÃO pedindo que penteassem o cabelo dela. E por pentear, entenda: prender, disfarçar, colocar pra baixo. Qualquer coisa que não fosse o natural do cabelo crespo, que é, pasmem: crescer PARA CIMA. Eu sinto muito se alguém pensa que o cabelo de Beyoncé cresce todinho liso e para baixo. O cabelo crespo, por natureza, cresce para cima e só com o crescimento ele tem peso necessário para “descer”. Deal with it!

Uma criança que é criada alisando o cabelo aprende que esse é o normal. Aprende que seu cabelo natural é feio, que suas características são as erradas. Ela aprende que nasceu errada, e é inegável o efeito negativo que isso tem na autoestima de qualquer pessoa. Isso me lembra da história da boneca negra que li nesse blog e nesse blog. Essas meninas crescem vendo a Barbie como modelo a ser seguido! Assim como inúmeras outras bonecas brancas, de olhos claros, traços finos. Uma criança negra não encontra sua representação nos brinquedos mais desejados, nos desenhos, nas mídias, nas mulheres consideradas lindas. Ela percebe que seu corpo não é desejável e passa a negar, disfarçar, detestar tudo que a afaste do ideal exaltado.

Há uma expressão que fica cada vez mais conhecida no meio das cacheadas e correlatas: Ativismo de Cabelo. Agora me responda, tem como não ligar uma coisa à outra?

Pessoas são mortas apenas por serem negras. Pessoas são invalidadas porque alguém determinou que elas não devem ter voz, e nós acatamos. Até quando vamos permitir todas essas formas de violência?

Para os interessados, links que achei pertinentes:
Cabelo x Racismo – Geledés
Jornalista teve que esconder cabelo para tirar passaporte
Grupo Cacheando em Salvador

Tá achando ruim por quê?

A ofensa começa na cabeça do ofensor.

Para começar, o que é uma ofensa?

s.f. 1. Palavra, ação que fere alguém na sua dignidade. 2. Injúria, calúnia, difamação, ultraje, agravo. 3. Transgressão, violação de regras, falta, pecado. 4. Menosprezo, desconsideração. 5. O próprio sentimento ou ressentimento causado pela ofensa.
Fonte: Enciclopédia Larousse Cultural, 1995.

Pegou a definição? Então, vem comigo. Me dá a mão que

O que determina se uma palavra é ou não uma ofensa é a intenção e a mentalidade do ofensor. Se eu acho que ser “bobo” é uma característica ruim, eu posso usar essa palavra para tentar ofender (agredir, diminuir, menosprezar) alguém.
E assim com qualquer outra coisa.

ofensa

Quando vi essas postagens no facebook, fiquei um tempo pensando sobre esse diálogo. Mentalmente, substituindo a palavra “negro” por diversas outras ofensas, como “vadia”, “gay”, “veado”, “preto”, “branquelo”, “magrelo”, “gordo”, “vara-pau”, “baixinho” ou qualquer outra característica, não encontrei uma conclusão válida no raciocínio. Vejamos:

“Estão me chamando de gordo, magro, alto, baixo, feio etc…”
-“E você não é?”

Será que realmente esse raciocínio invalida a tentativa de diminuição por parte do ofensor? Se te chamam de algo que você é, não é pra se ofender? ACORDA! Estão dizendo que VOCÊ é uma ofensa!

Na minha cabeça, o principal motivo de me sentir ofendida com uma colocação dessas é justamente que, para quem proferiu a injúria, aquela característica é, sim, motivo de vergonha. O/A coleguinha te chamar de negro significa que ele/ela acha que ser negro é digno de vergonha, de chacota. Ouço esse tipo de coisa todo dia. Literalmente, todo dia. Homens tentando ofender outros homens chamando-os de “veado”. Eu, no lugar deles, responderia: – Sou sim, e isso deveria ser um problema?!


Imagem aqui, da página Moça, você é Machista.

Na verdade, dá para usar essa resposta pra toda ofensa desse tipo.
Falando de mim, agora, tenho ouvido os mais variados comentários sobre o meu cabelo. Embora a maioria seja positiva, há sempre aquelas “brincadeiras” infelizes. Tá tão cheio, né, pra cima, curtinho, enrolado, cacheado, parecendo um palhaço (sério, ouvi isso ontem)… Enche o saco.
É, tá sim. Isso é um problema pra você? Alisa o seu.

Voltando… A construção da ofensa é mais ou menos assim:

Quero ofender fulano. Preciso associá-lo a uma coisa ruim. O que é ruim? Ah. É ruim ser gay, porque ele não é másculo, e ser másculo é o que há. Vou dizer que ele é gay, ha-ha-ha! (Dá pra alguém me explicar esse raciocínio?)
Ou, então:
O que mais? Ser mulher! Ser mulher é péssimo! Vou dizer que ele é afeminado! hihihi
O que mais é ruim? Já sei! Ser gordo é ruim. Por quê? Porque é. oras, todo mundo diz que é, deve ser.
“Já sei! Ela transa! Vou dizer que é uma vadia! Mulher transar é ruim, ela vai se envergonhar tanto. Muahahaha, eu sou mau e isso é bom. Eu nunca serei bom e isso não é mau” (Momento Detona Ralph)
E por aí vai.

Vamos lá, não é difícil. A ofensa consiste em pegar uma característica qualquer e usá-la para diminuir a outra pessoa. Assim, ofender alguém é dizer para essa pessoa “Sabe esse pedaço de você (que pode existir ou não)? Você devia se envergonhar disso”.

Então agora eu o convido, caro leitor, a fazer uma reflexão: Quantas vezes você usou alguma “ofensa válida”? (Se é que existe alguma) Quantas vezes a sua crítica fez alguma diferença na vida da pessoa que a recebeu, mais do que apenas irritá-la ou causar revolta? A maioria esmagadora das vezes, nós queremos apenas isso: ofender. Não estamos preocupados se o que estamos dizendo faz algum sentido; O objetivo principal é desestabilizar o “oponente”. Então, desestabilize-se com tamanha ignorância!

Então pra terminar, tá achando ruim por quê?
Porque tão achando que EU sou uma ofensa!

#NinguémMerece

Eu gostaria muito de saber como e por que as pessoas conseguem justificar um tipo de violência, mas condenam outros. Se você ainda não sabe, caro leitor, foi feita uma pesquisa com um resultado chocante: UM MONTE de gente acha merecido, ou ao menos justificável, que uma mulher de roupas curtas seja estuprada. ESTUPRADA! Violentada! Tolhida da liberdade de escolha sobre quem pode tocar seu corpo.

Eu gostaria de perguntar a essas pessoas, se elas acham normal e aceitável que mulheres de burca sejam estupradas. Sim, pasme: mulheres vestindo roupas conservadoras como as burcas também são estupradas. Porque do lado de lá, o discurso é o seguinte: A culpa é das mulheres que usam Máscara para cílios. Rímel, sabe? Porque deixa o olhar “sensual e irresistível”. Ora, se um homem não consegue olhar um par de olhos maquiados sem querer se enfiar em qualquer buraco, não pode ser culpa da mulher.

Também quero perguntar qual o nível de aceitação e justificativa para estupros de crianças, idosos, incapazes. Depende da roupa da vítima também ou é inaceitável? Monstruoso? “A vítima nesse caso nem tem chance de se defender”?
Mas… qual vítima de estupro ou qualquer vítima de violência sexual pode se defender com um discurso desses? Os outros querem logo saber o tamanho da roupa, as proporções do corpo, a conduta, a quantidade de parceiros sexuais, se era moça direita; Dizem que ela provocou, que o homem não consegue se segurar.
E que tipo de ser estúpido e descerebrado são os homens*, que se deixam levar pelo tesão? Pelo desejo sexual, e nada mais. Essa pessoa não tem um pingo de noção de direitos, de integridade física e mental? Como esse agressor não sabe que o bem estar de qualquer pessoa, o direito de viver, estar, habitar, existir em paz, é infinitamente mais importante que sua “necessidade” de ter um orgasmo? Um orgasmo, gente! Estamos falando de alguém que consegue ter um orgasmo, um prazer intenso, sabendo que está humilhando alguém. Sabendo que tem uma vítima desesperada em suas mãos. Isso é deprimente, mas mais deprimente que isso é saber que METADE do povo entrevistado acha isso aceitável!

De onde saiu essa ideia de que uma violência é justificável porque o homem não é responsável por seus atos?

Não sei o que mais me incomoda nessa coisa toda: Se são os homens que aceitam a condição de irracionais irresponsáveis ou as próprias mulheres, que culpam umas às outras, mas se excluem individualmente dessa “mira”. Não faz o menor sentido e as pessoas não parecem pensar sobre o assunto. Afinal, onde está escrita a Norma Internacional de Medidas que separa roupas “curtas” de roupas “comportadas”? Isso de “roupa curta” é tão subjetivo que me dá nojo que alguém que use esse argumento.

O fato é que nada, repito, NADA, pode justificar tamanha violência. A violação do corpo de alguém por um ímpeto tão egoísta. E para quem afirma esse tipo de insanidade, sinto informar que estuprador não faz questionário nem precisa de motivos pra atacar. O único motivo que eles precisam é a própria vontade, e não tem nada mais importante que isso.

Não, querida, você não merece ser estuprada. Não, você não precisa transar com ele porque estava bebendo na balada. Nem porque ele quer, nem porque ele está insistindo tanto. Não, sua roupa não justifica ele passar a mão no SEU corpo. Não, sua maquiagem não te torna patrimônio público.
Não, homem, a mulher não é patrimônio seu.

*Generalizando, ok? Tenho certeza que não são todos os homens que perdem a noção de sociedade quando vêem um par de pernas ou seios à mostra.

——–

Não.
Não importa se a vítima estava de burca ou de fio dental.
Não importa se era tarde da noite, ou cedo demais, e ainda não tinha amanhecido.
Não importa se o metrô estava cheio, se o ônibus estava lotado ou se era um transporte público vazio.
Não, não importa nem se a vítima fazia faculdade, se era da Igreja, fosse qual fosse.
Não importa também se estava sóbria ou bêbada, acompanhada ou sozinha.
Não importa quantos anos tinha, quantos parceiros sexuais já teve, quantas vezes ela fazia o mesmo percurso e nunca nada havia acontecido.
Não importa, também, quantas vezes ela recriminou as “colegas” por saírem de casa com microssaias ou biquínis.
Não importa se ela ia à Marcha da Família ou das Vadias.

O agressor não perguntou nada disso, nem lhe importava, nem que ela gritasse com todas as forças. Ele apenas se aproximou e fez uso de sua força. Se ela estava de roupa longa, rasgou, violou, invadiu. Se era curta demais, afastou e satisfez suas vontades mais primitivas. Agrediu, violentou, abusou.

Se tinha cabelo curto ou longo, não fez diferença.
Se era respeitada ou “rodada”, tanto fazia.
Se era uma criança, adolescente, adulta ou idosa, ele também não reparou.
Se era casada ou solteira, pra casar ou pra pegar, não era de sua conta.
Se estava grávida ou se era virgem, quem liga?
Se ela pediu que parasse, se ela chorou e implorou piedade, foi em vão.

Ele queria saciar sua ânsia pelo prazer, e nada mais. Afinal, é para isso que ela estava lá, disponível, não era? Afinal, o que seria mais importante que seus próprios impulsos, seu próprio prazer? O direito alheio? A integridade mental e física de outra pessoa? Quem inventou esses limites? Pra ele, essas linhas simplesmente não existem.

E pra melhorar o seu dia:

Se você também se indignou com o pensamento da “maioria”, participe da campanha #NinguémMerece #NãoMereçoSerEstuprada! Por que ninguém merece ser ignorado e subjugado!

2013: balanço geral!

Olá, você, seguidor/seguidora ou pessoa que chegou aqui por acidente.

No início do ano passado, fiz algumas resoluções de início de ano, aquele clichê de sempre.
Lendo o post de um amigo, me lembrei das minhas próprias resoluções e achei que seria legal atualizar a lista. Vamos lá?

– Cosplays:
Não tive muitos progressos nesse ponto. Na verdade, tive uma decepção enorme com um dos cosplays: ele demorou tantos MESES pra ficar pronto que eu já tinha engordado 5 kg (na academia, já chego lá). Resultado: Ficou péssimo, não ficou como eu queria e mesmo sem os quilos a mais, não teria ficado legal. No decorrer do ano surgiram outras prioridades, deliberadamente deixei essa coisa de cosplay pra outra hora.

Progresso: Um terminado, zero apresentados.
Para o próximo ano: Talvez eu mantenha tudo parado por algum tempo.

– Vaidade:
Boa notícia: Eu entrei pra academia!
Má notícia: Parei por conta das provas do primeiro semestre e… bem, não voltei mais. Pretendo voltar esse ano, mas não é uma graaande prioridade.

Mudei o cabelo! Não radicalizei o corte, não fiquei ruiva e também não fiz mechas loiras. Desde o início de 2013 eu já cortei mais de dois palmos de cabelo, e ainda assim está mais longo do que um ano atrás. Maas, fiz mechas. Duas vezes. E dessa vez, bem… ficou quase loiro. (Fotos em breve!) Estou estudando a possibilidade de tonalizar pra ruivo, mas não sei não. xD
Provavelmente, só vou radicalizar mesmo esse ano. To tentando escolher entre dreadlocks de lã e um pixie cut, mas pode ser que eu escolha os dois.😉
Não parei de roer unha (ainda), mas pretendo parar esse ano.
Vai, algumas resoluções nunca mudam!

Para o ano: Pixie cut/dreadlocks!

– Finanças:

YEEEEAH! Consegui me organizar! Cumpri os objetivos financeiros, guardei alguma coisa, adquiri o que queria e não quebrei!😀
Para o próximo ano: Manter a organização e melhorar.

– Estudos:
1 – Faculdade terminada!
2 – Estou fazendo curso no Elite Musical, estou ADORANDO as aulas, e a professora de canto é uma fofa! *-* Estou muito feliz com isso, porque não estava nos planos mas foi algo que surgiu de uma necessidade de escape.

Tive um pico de stress (bruxismo, tamo junto!) mais ou menos no meio do ano. A viagem nas férias (já falo dela!) ajudou muito a relaxar e a olhar pras coisas sob uma nova perspectiva, vendo que nada é impossível. Quando voltei, decidi me dedicar a alguma coisa não-obrigatória e que nada melhor do que algo que eu já queria fazer há muito tempo: Cantar.
Quem sabe rola um vídeo se eu participar do festival no fim do ano😡

Próximo passo: Tirar a habilitação! E quem sabe surja mais alguma coisa no decorrer do ano! Gastronomia, nutrição…😡


-Viagens:
Oh, a viagem! Fomos a Paraty em Julho. Foram apenas quatro dias, três noites, mas foi sensacional. A viagem por si só já foi muito boa: Nunca tinha viajado com o namorado pra longe de casa (minha ou dele) e tivemos que nos virar como gente grande. Crescemos bastante com isso, além de termos curtido muito o lugar. Fizemos um passeio de escuna que não é caro (25 reais/pessoa, por 5 (CINCO!) horas de viagem. Paraty é LINDA e deve ser visitada!
Próximo passo: Interior de Minas, aqui vamos nós! *-*

Outros aspectos:
Como era de se imaginar, aconteceu muita coisa que não estava na lista.

Houve mudanças no trabalho, decidi me tornar vegetariana, a Harmonia em casa melhorou bastante… Enfim, acho que amadureci bastante durante o ano que passou, passei a me enxergar mais, me questionar mais e tenho buscado o equilíbrio, a simplicidade.
Tenho acompanhado um blog maravilhoso sobre organização desde dezembro, e a fome de mudança que ele fez crescer em mim foi tão grande que já consegui “destralhar”:

– O armário de potes;
– Minha cômoda;
– Minhas papeladas;
– Meus cadernos de escola;

Além disso, comprei organizadores de gavetas que facilitaram muito arrumar (e manter arrumada) a gaveta de miudezas, uma estante branca pra manter meus livros à vista no meu quarto (antes ficavam enfurnados num baú, e uma parte ficava no buraco do ar condicionado. Péssimo, né?), e pra decorar e completar, comprei uma caixa organizadora linda e roxa pra guardar documentos e certificados! Uma coisa vai puxando a outra, aos poucos, e logo estarei reorganizando meu armário. Quero ter meu cantinho, e esse é o ano!

Também tenho acompanhado um blog sobre nutrição e o blog PapaCapimVeg, que também fomentam minha sede de mudanças e têm me inspirado e ensinado baastaaaante coisas nutritivas, deliciosas e saudáveis. Além dos produtos animais, esse ano pretendo diminuir (se não cortar completamente) o açúcar da minha dieta, além dos produtos processados. Às vezes acho que a ignorância é uma bênção, mas estou gostando do meu jeito ativo dos últimos meses.

No geral, acho que estou mais focada, mais ativa e definitivamente mais incomodada, no sentido de que não sossego enquanto não mudo algo que não está bom. Claro que tive altos e baixos – continuo roendo as unhas por ansiedade, tive um sonho quase erótico com uma bandeja de frango empanado e ainda existe a resistência considerável a pratos principais sem carne e/ou apenas novos – mas estou muito, muito contente.

Talvez isso tudo tenha alguma coisa a ver com o Reiki. Talvez não tenha nada a ver e seja apenas uma fase de mudanças. Isso eu nunca saberei. O que sei é que estou muito feliz com tudo isso, e pretendo continuar buscando um caminho feliz.
Próximo ano: Reiki nível 2!
Que venha 2014  e comam muitas, muitas fibras!

Todos os animais merecem o céu e eu não vou cozinhá-los

Há quase três semanas, decidi não comer mais carne. Há quase três semanas estou feliz por ter tomado uma atitude que há anos vinha me incomodando, mas que eu era covarde o suficiente para interromper o fluxo de pensamentos quando saía da zona de conforto.

Mamilos são polêmicos? BITCH PLEASE, experimente dizer que é vegetariano numa roda de amigos.

Mamilos são polêmicos? BITCH PLEASE, experimente dizer que é vegetariano numa roda de amigos onívoros.

Nunca me agradou ir ao aviário, quando criança, pra minha vó comprar frango. Ela comprava o frango já sem cara de bicho, aquele filé de peito rosadinho que quase não parece um animal, mas volta e meia chegava alguém que queria um frango ainda mais fresco. A pessoa escolhia o frango de seu desejo e o encarregado pegava a ave e a levava debaixo do braço pros fundos da loja, passando por uma porta. Alguns momentos de pesar depois, voltava com o embrulho. E aquilo me intrigava, mas eu era pequena demais pra pensar nisso.

Eu nunca gostei de rodeios, touradas. Nunca entendi a graça de ver um animal agonizando. Não compreendo e não aceito explicações (se é que existem) sobre como é possível se divertir vendo, ou mesmo causando, a morte lenta e sofrida de um animal. Antes que comecem, não, “matar mosquito não conta”. Um boi não suga o seu sangue e dificilmente vai te passar alguma doença. A menos que você o coma.

Quando era mais nova, tinha uma carne que minha mãe fazia e eu adorava. Era deliciosa, e eu chamava de “carne molinha”, porque era bem mole mesmo. Não sei por que motivo, houve uma janela de anos em que não fizeram mais aquela carne aqui em casa. Um belo dia, anos depois, minha mãe chega em casa animada, dizendo que ia fazer língua de boi! Eu fiz cara de nojo. Quem poderia gostar de língua de boi? Bem. Você já descobriu o que era a “carne molinha”? Você acha que eu comi depois de descobrir?

Também não comia nada que “me lembrasse” que se tratava de um animal. Não gostava de cabeça de peixe, patas, pescoços, orelhas, língua… Mas eu não entendia por quê. Eu não queria entender.

Alguns meses atrás, talvez já faça um ano, eu vi um site que me chocou. Nele, uma empresa ofertava bifes de cães de raça criados livres, sem stress e com garantia de uma carne saborosa e saudável. Eu chorei. Chorei muito. Eu não queria acreditar, mas pessoas no mundo comem carne de cachorro todos os dias, e muitas delas por opção, sim. O site, eu vim a descobrir, tinha exatamente esse intuito: Chocar. Se você ama um Beagle, como aceita que uma vaca, uma galinha, um novilho de menos de um ano, morra pra você comer e se fartar? Pra mim, claramente faltava coerência. Nessa ocasião cheguei a comentar com Allana sobre a leve vontade de virar vegetariana. Apesar desse choque, mais uma vez adiei o término do raciocínio. Ainda faltavam informações.

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Algumas pessoas sabem que há alguns meses a Loura, a gatinha preferida da minha mãe, adoeceu. Depois de muitas semanas e vários veterinários desinteressados, descobrimos que ela não tinha muito tempo de vida. Há algumas semanas, ela morreu. Por esse motivo, eu comecei a ler o livro “Todos os animais merecem o céu“, e uma parte do livro mostra o que acontece nos matadouros. Sofrimento. Animais morrendo em série, acuados e mantidos em fila para não terem escapatória. Descargas imensas de adrenalina, que eu comia junto com a tal proteína. O churrasco perdeu a graça, porque ganhou um corpo e um rosto. Mais do que isso, ganhou uma mãe criada para procriação em série, uma vida curta, limitada e cheia de stress, uma alimentação repleta de hormônios e uma morte sem sentido.

Se eu já não aceitava a morte por diversão, se não gostava de lembrar que estava comendo animais, perceber que milhões deles estavam morrendo todos os dias pra que eu mantivesse o hábito – desnecessário – de comer carne me causou asco. Aquela frase bastante difundida – “Se ama uns, porque come outros?” – passou a fazer todo o sentido. Se eu estava sentindo tanto a falta da Loura, se eu não gostaria que o Pepe (meu cachorro) morresse agora, por que comer um cadáver de boi ou de frango?

Por muito tempo eu resistia a essa ideia. Não queria ver um bife, um hambúrguer ou um delicioso nugget com queijo como um “cadáver”, um “bicho morto”, nada de desagradável. Era delicioso; Eu me recusava a sequer imaginar que pudesse estar prejudicando alguém.

Não pense que há um interruptor de liga/desliga pra “gostar de carne”. Também não é da noite pro dia que se resolve mudar a base da alimentação. É depois de muita pesquisa, muita leitura e muita insegurança que alguém consegue tomar essa decisão. E, pelo menos pra mim, perceber a quantidade de comidas “temperadas” na carne que estavam à minha volta só me chocou ainda mais. Arroz com presunto, feijão, verduras refogadas com bacon, paio e outras carnes e embutidos. Pastéis, salgados, petiscos. Não é confortável e não é simples quando você percebe que aquele misto quente “contém vida animal”. Ser vegano, ou pelo menos vegetariano estrito, deve ser ainda pior. No mercado “comum” tudo contém leite ou derivados, ou ovos. Basicamente você precisa saber a composição/receita de tudo o que for comer. Eu tenho evitado principal e basicamente carne propriamente dita. Eu não sabia, mas molho inglês, na maior parte das vezes, tem carne. Gelatina é feita a partir de ossos e muito mais. Até o tempero do miojo tem carne em pó. Mas a parte gostosa é descobrir as alternativas pra tudo isso.

Nessas últimas semanas, além do sentimento bom de seguir os meus princípios, estou me sentindo leve e meu organismo está respondendo muito bem à “nova” alimentação. Mas mais do que isso, tenho aprendido muita coisa e estou buscando manter a alimentação ainda mais equilibrada do que já fazia, quando onívora. Claro que não pretendo dispensar o acompanhamento de um/a nutricionista, mas estou feliz de aprender tudo isso. Estou feliz e satisfeita por fazer algo em que eu realmente acredito. E isso, amigo, churrasco nenhum paga. Eu não preciso de carne pra viver, e você?

Faculdade não é solução, é problema

Tenho lido bastante nos últimos dias, sobre finanças, investimentos, além de Steampunk das leituras habituais. Em várias leituras e nas conversas que tenho tido, percebo a quantidade de pessoas despreparadas e sem estabilidade alguma. E não falo de estabilidade financeira. Falo de preparo mental, psicológico, pra enfrentar a vida. O texto maravilhosamente claro de Eliane Brum explica bastante o que acontece com quem não sabe muito bem como as coisas funcionam.

Conheço muita gente que faz faculdade “pra ganhar mais”. Mas eu preciso dizer uma coisa: A Faculdade não vai te dar um salário maior. É sério, e você não precisa ser um gênio pra perceber isso. Não existe nenhum botão que ligue assim que você pega o canudo e faz o juramento, na colação de grau, acendendo um letreiro em neón azul dizendo “GRADUADO”. Não há chuva de papel dourado picado. Não há fogos de artifício. Não vai chover dólar à sua volta. Você vai continuar sendo a mesma pessoa. Ou não.

O que eu quero dizer é que, a menos que durante o curso você se transforme em alguém mais capaz, mais competente, alguém em quem valha a pena investir mais recursos, não há graduação que faça você ganhar mais. O salário mais alto é fruto do valor agregado a você pelo conhecimento que você adquiriu com a formação. Na maior parte das vezes, não é apenas o canudo. Você precisa fazer por merecer. Capisce?

Se você não tiver isso em mente, vai pagar caro por um curso de 4 ou 5 anos e no fim dele não terá mais do que tinha quando começou. Pagar caro ali não é nem a mensalidade, visto que você pode fazer uma pública, mas até a colação (ou não) você terá apenas perdido tempo, energia e, também, dinheiro.

Assim, também não há investimento que, por si só, te faça ficar rico. Não é pegar o dinheiro, investir em qualquer coisa e enriquecer. É preciso um know-how (passei a semana toda tentando usar essa palavra) pra gerenciar a coisa toda: o que fazer, como fazer e eventualmente a hora de pular fora se o barco está virando.

Também não dá pra juntar dinheiro e contar que a sua casa vai se construir sozinha. Tem tantos fatores envolvidos nisso que nem vale a pena citar. Mas acho que ficou claro o que quero dizer: Não é só saber o que quer e achar que tem os pré-requisitos.

Fazer faculdade não é garantia de ganhar mais; Investir não é garantia de enriquecer; Viver segundo as regras não é garantia de ser feliz.

Nada, repito, NADA que você faça, isoladamente, vai te construir um futuro melhor. Você precisa se mexer! Steve Jobs fez um curso de tipografia quando adolescente a troco de nada, e foi isso que o tornou milionário anos depois. Ele revolucionou o mundo inteiro, começando com uma ideia. Quando fez o curso, ele não tinha ideia do que viria pela frente, mas quando viu uma oportunidade, ele não hesitou. Uma das maiores características desse homem era justamente a força de vontade, o foco que ele tinha no sucesso. E ele sempre continuou, mesmo com os fracassos que teve. A única garantia que temos na vida é que um dia ela acaba. Então, novamente. Mexa-se.

Em vez de reclamar que você fez faculdade, trabalhou, virou noites pra passar naquele concurso, jejuou por 30 dias e o Universo não conspirou a seu favor; Em vez de exigir de todos à sua volta que façam alguma coisa por você que nem mesmo você fez; Enfim, em vez de se revoltar contra tudo e todos, que tal mudar o foco e tentar trilhar um caminho diferente?