cotidiano · indicação · pra pensar

Um copinho de liberdade, por favor!

E aí, criatura! Tudo bem?

Faz tempo, né? Mas vamos que vamos, que hoje o assunto é cheio de polêmicas ainda, de ódios e amores! Hoje venho falar de um assunto que talvez interesse mais a quem tem útero (e menstrua). Mas, se você não passa por isso mas se importa com quem passa, fica aí e vai vendo. Talvez esse texto possa te ajudar de alguma forma, nem que seja pra ajudar alguém.

Vou falar do já famoso coletor menstrual, ou “copinho”. Se você nunca ouviu falar, trata-se da coisa mais linda, prática e deliciosamente libertadora que eu já tive conhecimento em toda a minha vida – E hoje me arrependo de não ter aderido quando ouvi falar da primeira vez, vários anos atrás.

Venho postando no meu Facebook, timidamente, alguns incentivos ao uso do coletor e, como percebi uma boa aceitação e muita curiosidade, tamos aí!

O que é o coletor?
Não é nada além de um recipiente de silicone (ou outro material atóxico), muito maleável, que é inserido na vagina (não, ele não SOME lá dentro) e coleta a menstruação.

Como funciona?
Exatamente como falei ali, ele só fica lá… coletando o sangue. Mais nada. Aliás, ele SÓ coleta o que sai do útero, o que significa que você não vai sentir aquele ressecamento característico.(Sabe? Terrível, né? Pois é, também achava.) Contanto que seja bem colocado – questão de prática, mas rapidinho de pegar o jeito! – não vaza, não assa, você nem percebe que ele tá lá. E pode ficar várias horas com ele; Depois esvazia, na pia, no ralo, no chuveiro, lava o coletor, e voltamos ao início.

Mas se ele tá lá dentro, como sei que tá cheio?
Bom, na base da tentativa e erro, até encontrar seu intervalo certo pra esvaziar o copinho. Cada uma é de um jeito, então não tem muito uma fórmula. Muito parecido com o absorvente comum, aliás, nesse aspecto. É preciso se conhecer um pouco pra escolher modelo, tamanho, e tempo pra troca, pra evitar vazamentos. Coletor é a mesma coisa, só que o aborrecimento da adaptação é bem menor.

Mas peraí, volta ali: Jogar o sangue no RALO? Não contamina???
Olha, como o sangue no coletor não entra em contato com o ar, não oxida e não prolifera bactérias. O sangue, em si, não contamina nada. Caso contrário, precisaríamos usar um vaso sanitário específico quando a menstruação chegasse, e não temos essa preocupação com os absorventes, que vão parar nos lixões por aí e a gente nem pensa nisso. Aliás, boa hora pra começar a pensar!

Todo mundo se adapta?
Como tudo na vida, não. Não tem unanimidade. Mas a grande maioria, sim. Existem diversos fabricantes, diversas marcas, modelos e tamanhos e rigidez do material, e até variações de formato. Então é necessária uma pesquisa antes de comprar pra escolher seu “companheiro de aventuras”, mas a chance de que exista algum exatinho pra você é bem grande.

Tá. Mas não tá bom com o absorvente?
Olha, não sei você, migs, mas eu realmente tinha problemas que eu nem sabia, com o uso desse monte de química. Fora o desconforto de ter aquilo entre as pernas e a paranoia constante de não levantar rápido demais, não sentar torto demais, não ficar tempo demais, não usar roupa apertada demais pra ninguém reparar, aquele cheiro constrangedor, que eu tinha certeza que o mundo podia sentir mas ninguém falava por pena… Bom, fora isso tudo, eu tinha alergias e sintomas que achava naturais, simplesmente porque não tinha informações sobre o assunto. Por isso resolvi escrever isso: Pra que mais gente descubra que não é normal nem desejável que coce, incomode, arda, resseque, pese, nem nenhum desses sintomas terríveis. Então se você sente algum desses – ou todos -, migs, vale a pena dar uma chance pra esse pedacinho de silicone.

E, se você tem uma pegada meio ecológica, curte redução de lixo e essas coisas lindas e verdes, o copinho dura ANOS, é totalmente reutilizável, “esterilizável” e seguro, e gera muito menos impacto ambiental do que toneladas de absorventes que são jogados fora todos os meses no ano – uma mistura bizarra de algodão, plásticos, géis, sangue e um monte de substâncias químicas que não tem natureza que dissolva.

Se você leu até aqui, mas ainda não se convenceu; Ou, se você leu até aqui e tem nojo dessa coisa toda de coletar sangue, lavar copinho, inserir, retirar, iuch! Eu te faço um pedido: Vamos pensar do que nós realmente temos nojo? O que nós realmente tentamos esconder quando pedimos, envergonhadas, um absorvente emprestado pra amiga ao pé do ouvido? Se é um processo natural, tão natural e necessário quanto se alimentar, beber água e ir ao banheiro, por que temos a imagem de que esse sangue é sujo, impuro, desagradável e não deve ser comentado? Por que nos sentimos pessoas piores, temos vergonha de falar até com as amigas? Ainda que você deteste a ideia de se tocar e entrar em contato consigo mesma, é uma ótima oportunidade para refletir sobre isso.

Bom, vou parando por aqui! Sou adepta há alguns poucos meses e já adoro o coletor e todo o crescimento que me proporcionou. Existem vários grupos no Facebook, também, com trocas incríveis de experiências positivas e negativas, informações sobre os coletores, modelos, tamanhos e tudo o que a gente precisa saber pra escolher o nosso.

Minha pedida agora é um copinho de liberdade com muito autoconhecimento e autoaceitação. ❤

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s