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Quando fiquei vazia #SetembroAmarelo

Torpor era tudo. Torpor.
Nem tristeza, nem melancolia, nem irritação: Apenas vazio, dentro de mim. Uma vontade de ficar deitada até passar – o que, não sei. Mas era forte e deixava cada músculo pesado, quase dormente. Só queria ficar ali, deitada, olhando pra parede e pensando em quão mal eu me sentia, buscando uma explicação e chegando à conclusão que eu estava doente.

Num esforço gigantesco levantei, comi alguma coisa e consegui tomar um banho; Mas logo aquele torpor voltou e deitei na cama de novo. Até que minha mãe insistiu pra eu levantar, me levou pra rua. Mais um dia, mais um fardo.

Num outro dia – um dos piores – abri os olhos e soltei um gemido quando vi que tinha mais um dia pela frente. Doía. Fisicamente. A ideia de viver um dia inteiro era tão estafante, exigia tanta energia que sentia minhas entranhas revirando em protesto. Consigo lembrar do peso, do torpor, do cansaço, de tudo. Da energia que eu sentia se esvaindo, como uma torneira aberta. Uma sensação de inutilidade, puerilidade e incapacidade.

Era a depressão.

Meu melhor e também pior dia era quarta feira, dia da sessão com a psicóloga: Ela entendia. “Não parecia”, mas eu estava mal. E “não tinha motivo”, também: Vida tranquila, com casa, comida, roupa, cursando a faculdade dos meus sonhos, um namoro lindo de 5 anos. Mas quando me diziam isso eu só ficava pior, tentando descobrir o que, então, estava tão errado comigo pra estar daquele jeito, pra não dar valor a “tudo aquilo”.

A depressão.

Minha psicóloga me recomendou um psiquiatra, quando a faculdade entrou em greve e os sintomas pioraram: Crise de pânico na rua e em casa, ansiedade o tempo todo, sensação de morte iminente e um sentimento de “tanto faz”. E no intervalo, um enorme vazio.

Na pior fase, havia crises em que eu queria me encolher e desaparecer. Não queria morrer, apenas deixar de existir. Literalmente me encolhia, chorando e, pior de tudo: me sentindo culpada por estar tão mal, tendo uma vida melhor que a da maioria das pessoas. Emocionalmente estava um desastre, sem estabilidade nenhuma, frágil como uma casca velha e rachada de ovo: Qualquer toque e vinha tudo abaixo.

Depressão.

Foram aproximadamente 7 meses de antidepressivo, o que é bastante rápido. Algumas pessoas demoram muito tempo pra encontrar o medicamento certo e, quando encontram, podem ficar vários meses em tratamento até que o resultado seja satisfatório. Tive muita sorte (?) por buscar ajuda rápido, por ter apoio de amigos, do namorado, da minha mãe. Tive todo um suporte e ainda assim lembro de muitas vezes me sentir no meio de um deserto.

Conheço várias pessoas que já passaram por isso. Conheço quem faça tratamento, quem lide com depressão, ansiedade, fobia social, vícios, traumas inimagináveis, síndrome do pânico e tantos outros, há muitos anos. E, ao contrário do que algumas delas pensam de si mesmas, elas são extremamente fortes. O fardo de carregar qualquer um desses rótulos é imenso, e ainda maior quando quem está em volta não sabe o que você passa. Não tenha medo de julgamento e principalmente, não se julgue. Sei que é difícil, sei que requer um esforço imenso, mas, se você está passando por algum momento difícil, mesmo que não saiba se explicar, fala comigo. Mesmo que ache bobagem, se algo tá te incomodando, vamos conversar. Me chama no Facebook, comenta aqui no post, manda um e-mail, me liga, vamos manter contato. Você não está só, somos muitos nesse mundão. E todos nós somos muito importantes, muito valiosos!

Nenhum de nós é tão forte quanto todos nós juntos. VEM!

DEPRESSA!

—-x—-

Não sou psicóloga, nem nada relacionado à área de saúde. Sou alguém que viveu a experiência e quer ajudar. Espero que meu relato seja útil.

Escrevi esse texto para, de alguma forma, participar do Setembro Amarelo. Nem todos sabem que tratei depressão ano passado, muitos ainda se surpreendem. Com intuito de mostrar que todos nós temos nossas dificuldades, mas que com o auxílio certo, podemos vencê-los.

Se você conhece alguém que está passando por alguma dessas doenças, busque ajuda. Procure se informar sobre como auxiliar, se coloque à disposição e atenda às necessidades da pessoa, ressaltando como é importante pra você poder auxiliá-la naquele processo.

Juntos, somos fortes.

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