cotidiano

Realidade? Com gelo e açúcar, por favor!

Encarar a realidade? Não, não é comigo. Não ~sou dessas~, como diria um amigo. Sou mais sonhadora, quase criativa, além de ser covarde e insegura. Realidade, senhores, não, isso não é pra mim. Porque a vida é chata demais e padronizada demais pra me chamar atenção. Costumo até criar problemas e situações imaginárias, pra não ter que lidar com os monstros reais que batem à minha porta, dia após dia. É que esses reais são tão comuns, tão chatos, e parecem tão enormes que eu não sei como lidar com eles, então eu os ignoro e crio novos pra mim. E os novos são bonitos, enfeitados aqui e ali, e às vezes ainda mais complicados que os originais.

Pode ser qualquer coisa:  Já vivi amores imaginários, criei paixões e novos interesses. Já quis estudar alemão, já me apaixonei pelo amigo gay e tive aquele duro amor não correspondido, já estudei francês por conta própria; Já quis ser uma cantora famosa, mas era contralto (timbre grave feminino) então meti na cabeça que mudaria o timbre da minha voz: Isso eu consegui. Hoje sou mezzo soprano (entre o grave e o agudo), mas não fiquei famosa. Bem, isso não interessa. Já criei todo um livro dentro da minha cabeça, com histórias que eu mesma vivi, mas com as quais personagem principal conseguia lidar muito melhor do que eu. Já escrevi poemas, já desenhei. Já fingi que não tinha problemas. Esse último foi, sem dúvida, um dos piores. Precisei resolver este antes de dar um passo adiante pra resolver os reais, que se acumulavam por debaixo dos tapetes e dentro dos armários.

Também sofro por perdas alheias, talvez para tentar lidar melhor com as minhas. E pode ser qualquer perda. Um abraço apaixonante, um novo livro ou texto que se acaba, relacionamentos que chegam ao fim ou objetivos não alcançados. Não faço muita distinção entre o que é meu e o que não é. Eu simplesmente sinto. Mesmo quando eu digo que não, quando eu quero de todo o coração simplesmente ligar o “f*da-se”, não dá. Sendo minha ou de qualquer outra pessoa, vai me fazer sofrer. Mas é uma dor diferente: É uma dor tão curtida que já serve de escudo. É algo como o Hulk, sabe? O “macete” dele é sempre estar com raiva, não é? O meu é sempre esperar coisas ruins. Se não vierem, é um baita lucro. Se vierem, bem, eu não terei a surpresa, o choque da decepção. Legal, né?

Mas acho que minha vida seria bem pior sem esse toque de devaneios: Eu provavelmente não ligaria pro Sol se pondo, porque não pensaria nos tantos livros que já li que me descreviam alguma cena parecida. Também não daria aquele sorriso gostoso ao ouvir uma música que eu escolhi para tema de alguma amizade, namoro, ou parte do meu dia. Também não acharia lindo o sorriso tímido e mágico da menininha que subiu no ônibus com a mãe, nem acharia nada demais no jardim daquela casa na penha, por onde passo quase todo dia. Se não fantasiasse, eu provavelmente não veria o lado bom das pessoas, nem das situações. Porque a minha esperança na vida vem da fantasia de que seremos pessoas melhores, algum dia.

Dá pra não sorrir?

A Fantasia torna os momentos da vida especiais. Quem atribui os valores às coisas não é a realidade, mas sim a sua impressão daquele momento. Impressão essa que é totalmente sua, foi criada exclusivamente por você, e só ao seu julgamento ela vai fazer jus. Para qualquer outro, sua visão pode estar completamente errada, mas não importa, porque a opinião é sua e ninguém tem que se meter. Fantasiar um pouco torna a vida mais fácil e interessante de ser vivida. Depois é só pegar a Realidade, com um bocado de gelo e açúcar, mas bem gelada, misturar tudo, tomar em pequenas doses e ser feliz!
Mas viva a Fantasia! 😉

(Esse pode ser o post mais psicótico que eu já escrevi, mas precisava colocar isso “no papel”, porque não saía da minha cabeça desde ontem.)

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3 comentários em “Realidade? Com gelo e açúcar, por favor!

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